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17 de agosto de 2011

Uma pequenina luz



Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha

| Jorge de Sena |

12 de agosto de 2011




If you just get it together and read my mind
Then sleeping would be easy
And then i'll be there to acquiesce
I confess i'm in trouble

Another afternoon of increments
And asking the wrong questions
Then you get up and leave again
Just as the evening threatens to set

Consider this now it's not too late
I have watched you change
The colour of the trap

I have learned to wait
Most of the things that you say
I don't understand but i will sit and listen
I nod along attentively
But the truth is i cant concentrate

Consider this now it's not too late
I have watched you change
The colour of the trap
I have learned a way
Make no mistake
I have learned to wait
And learned you can make me
I need something to sort me out
I need someone to come and shake me

And your exit calms me down
Before it infuriates me
Girl i'm in trouble
Wish you'd just get it together and read my mind.

| Alex Turner, Colour of the trap by Miles Kane |

8 de agosto de 2011

two plus one


... há 32 anos que somos duas. Mas ouvi dizer que o melhor ainda está para vir*

6 de agosto de 2011

"Os pulmões são bonitos - nunca percebi porque é que as pessoas não os escolheram como lugar simbólico dos sentimentos, em vez da banalidade do coração. Os pulmões abrem e fecham, como se estivessem debaixo de água, esponjas do fundo do mar. O coração é apenas uma bomba. Como se pode preferir uma coisa que «bate», que não bate coisíssima nenhuma, a uma coisa que respira?"



| Miguel Esteves Cardoso, A Vida Inteira |


1 de agosto de 2011

«Todos vêem o que pareces, poucos sentem o que és.»
 
| Nicolau Maquiavel |

29 de julho de 2011

«(...) a sua voz era a promessa de que tomaria conta dela e que, um pouco mais tarde, abriria mundos inteiramente novos a seus olhos, desenrolando uma sucessão infindável de magníficas possibilidades.»

| F. Scott Fitzgerald, Terna é a noite |

28 de julho de 2011

E depois há dias assim. Em que os braços se colam ao corpo e o coração se agarra às costas.

27 de julho de 2011

"One need not be a chamber to be haunted, one need not to be a house. The brain has corridors surpassing material place."


| Emily Dickinson |

11 de julho de 2011

entre o colchão e a mesa de cabeceira, deitado numa moldura de madeira

As mãos nos bolsos, como se com eles comunicasse o coração, às vezes aparecia por aí.
O nome que lhe tinham posto era, no entanto, demasiado para uma só pessoa.
Trazê-lo assim sempre consigo abria-lhe feridas pelo corpo, onde as cortinas se metiam, agitadas pelo vento.
Não serei eu a negar que o raciocínio e a pele se contaminam, costumava-me ele dizer.
Ainda hoje a pele ganha terreno ao coração.


| Luís Miguel Nava |

4 de julho de 2011

Os dedos com que me tocaste
Persistem sob a pele, onde a memória os move.

| Luís Miguel Nava |