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11 de novembro de 2010

E depois do Adeus


... o ficarmos sós.

Loucos e Santos!

Escolho os meus amigos não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila dos olhos. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espíritos, nem os maus de hábitos. Fico com os que fazem de mim louco e santo. Deles não quero respostas, quero o meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isto só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só ombros e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim metade bobeira metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, e lutem para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero os de metade infância e outra metade velhice! Crianças para que não esqueçam o valor do vento no nosso rosto; e velhos para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois, vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

| Oscar Wilde |


6 de outubro de 2010

Lugar ou espaço que se estende

Hoje vi os teus olhos com asas. O teu olhar voou para longe e com ele a tua voz. Parada diante ti, de sorriso esforçado por saber que não me vês, não me vês. A tua realidade não é a minha e por isso não lhe pertenço. Das memórias não há vestígio. Desapareci. Mesmo ao teu lado. Serei sempre tua.

13 de setembro de 2010


eu transporto o teu coração comigo 
(transporto-o no meu coração) 
nunca estou sem ele 
(para qualquer lado que vá,querida; 
e tudo o que faço apenas através de mim 
és tu quem o está fazendo, minha querida) 
não temo o destino(pois tu és o meu destino, meu doce) 
dispenso o mundo(porque linda tu és o meu mundo, a minha verdade) 
e és tu tudo aquilo que uma lua alguma vez significou 
e qualquer coisa que um sol cante perenemente és tu 


eis o segredo mais profundo que ninguém conhece 
(aqui está a raiz da raiz e o botão da flor do botão da flor 
e o céu do céu de uma árvore chamada vida; 
que cresce mais alto do que a alma pode aspirar ou a mente esconder) 
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas 

eu transporto o teu coração(eu transporto-o no meu coração)
| e. e. cummings traduzido por Angel |
Obrigada*

11 de setembro de 2010

ontem. começo. hoje.


“(..) Sentados sobre as camas de ferro dos seus quartos, lembraram-se: 
encontrámo-nos. Naquele dia, perante a imagem verdadeira um do outro, sentiram: encontramo-nos.

No rosto dele, a esperança. No rosto dela, ainda mais esperança. Encontramo-nos. Encontrámo-nos. Encontraram-se. Foi ele que caminhou a distância pequena que ainda os separava. Foi ele que estendeu os braços. Ela baixou o olhar entre o seu corpo imóvel e a terra. Os braços dele sem uso. As palavras formaram-se dentro dela. As palavras aproximaram-se dos seus lábios. No silêncio, entre os seus rostos as palavras existiram e foram um eclipse (...)”
| José Luís Peixoto, excerto de "Ao adormecermos eternamente" em Antídoto |