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8 de novembro de 2009

“Dá pela graça de solidão”

Saldanha2
O Senhor do Adeus. João Manuel Serra. 78 anos.
Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente.
Como noutros tempos? Que nem quando a minha mãe era viva e a vida soava a festa. Eu sou da idade em que os senhores usavam chapéu. No cinema era um horror, nós a querermos ver os amores e a elegância a turvar-nos a vista. As senhoras falavam francês, tocavam piano. Oh, era maravilhoso! Eu vi a Ginger Rogers na Broadway, o Aznavour no Moulin Rouge, a miséria da União Soviética e a fiesta de Madrid...
São quase duas da manhã e os carros não param de lhe apitar. Nem eu de lhes acenar. Só fico triste quando o movimento acaba.
Desde quando este passeio é a sua casa? Venho para a Praça Duque de Saldanha, desde que fiquei nas mãos de não ter ninguém. Nasci aqui perto, na casa da minha avó. Um palacete tão bonito, que o Calouste Gulbenkian quis comprá-lo - parece que não queria morrer no Hotel Avis.
Vê-se que foi um menino rico. Sou filho de gente abastada, nunca trabalhei nem entrei numa cozinha...
Diz isso com um certo embaraço. Sou preguiçoso para tudo, menos para dizer adeus a quem por aqui passa. Enfim, nada dura para sempre, é fortuna que já lá vai. A vida dá estranhas voltas, o meu destino é acenar a quem me cumprimenta. Estou sujeito a que me chamem maluco, mas não me importo. Da minha solidão, sei eu.
Está aqui todas as noites como quem pica o ponto no emprego. É a minha missão. Quer ouvir a história? Começou por acaso... Eu andava pela rua, a espantar a madrugada, e as pessoas começaram a acenar-me. Respondi, correspondi – agora, é a minha vida. Tenho um pouco de vampiro - à noite não durmo, vagueio. Quando passa um carro antigo, lembro-me do meu pai. No tempo em que os carros eram raro luxo, ele tinha um Dodge muito chique. Ainda bem que então eu era novo. Se fosse velho, seria triste – sem carros, a quem acenaria?
Quem lhe buzina mais? Toda a gente. Antes, a grande diferença era entre Verão e Inverno, agora estamos na estação da crise. As pessoas rendem-se à bolsa vazia, ficam mais em casa.
O mundo tem mudado bastante? É uma coisa fantástica! Até no cinema, que trocou a pieguice pela tecnologia. Oh, o que chorei a ver “E Tudo o Vento Levou”! Eu vivi os grandes momentos do século passado: o lançamento da bomba atómica, a queda do muro de Berlim, a ida do homem à lua.
Viu pela televisão? Houve quem duvidasse, eu acreditei logo. Mas estou decepcionado, dizia-se que em 2000 já haveria viagens interplanetárias. Tenho fintado a morte, mas começo a acreditar que é viagem que só farei de pálpebras cerradas e imaginação aberta.
Iria acenar para Marte? Se lá houvesse carros, pessoas com quem comunicar e essa senhora malvada, que dá pela graça de solidão.”
Entrevista de Ana Sofia Fonseca para a revista “Única”, do jornal “Expresso” (21/03/08)

18 de abril de 2009

Recuerdos!

Recebi um email com 20 anos. Ou mais. Quer dizer, eu era criança quando peguei pela última vez em cada uma daquelas “coisas”. Vou reproduzir na íntegra, para não viajar sozinha.
“Estava eu a pensar quando, numa tempestade de ideias, me lembro que antigamente este chocolate se chamava Raider. (confere)
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Aqui está a prova! Eis quando me começo a lembrar de coisas… As pastilhas pretas que comprava (na velha) e comia às escondidas (porque diziam que tinha droga), quando andava na preparatória… (tal e qual… isso e os pirolitos vendidos aos magotes pelo velhote à porta da escola)
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… com uma destas:
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Comprava também uma destas (com os pacotes grandes dava para encher a boca e fazer bolas do tamanho de casas). Claro que as melhores eram as gorila de laranja e as de morango… (eu sempre preferi as de mentol e as de tutti-frutti)
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Os lindos flocos de neve (o que o meu céu da boca sofreu com estes meninos)
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E as Chiclets que roubava da mala da minha avó (não era da mala da avó… eram compradas!)
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Petazetas para encher a boca e rezar para um daqueles bocados GRANDES não estalasse com muita força (e ficar de boca aberta, claro, caso contrário não se ouvia o barulho!) (e fechar os olhos, com medo que fizesse ricochete num dente!)
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Estes lembro-me que comia quando ia ao cinema. Os "diamantes" faziam salivar que se fartava! (Não comia quando ia ao cinema… mas comia muito! Ainda hoje ando à procura de um sítio que os venda… Tenho saudades!)
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Cantávamos "suguinhos, suguinho, colam-se aos dentinhos!" (meter um de cada sabor na boca ! hmmmm!)  (nunca cantei tal música… nem juntei um de cada sabor! Será que nunca soube apreciar realmente um sugo???)
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A bela "bomboca dji morango", que ainda hoje quando a encontramos compramos logo uns caixotes! (comer primeiro a parte de cima e deixar a bolacha para o fim! Sempre!)
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No lanche da primária, mas principalmente na praia; pegava na palhinha do capri-sonne DE MAÇÃ, e já com a mania que era rebelde, espetava-a na parte de baixo do pacote! YEAH! (lembro-me de ir à D. Isilda comprá-los!)
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E as festas? Lições 100? Havia sempre um que levava as tortas Dancake. Se fosse de chocolate, era um instantinho a desaparecer, se fosse de morango, demorava um bocadinho mais, mas também marchava, agora se fosse aquela de baunilha... (ok, estas ainda existem. As de chocolate eram realmente a maior perdição)
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Qual mp3, quais gigas! As belas mixtape gravadas da rádio, ainda com restos da voz dos parvos dos apresentadores dos programas que insistiam em falar por cima da música! (SIM! O animador a anunciar a música que ia passar e eu correr para o botão do rec! Depois lá apanhava restos de frases, separadores… mas não fazia mal! Grande parte da música estava intacta! E o resultado era uma bela cassete para ouvir no walkman!)
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E este? Quem teve? Era o delírio, com os discos de imagens. Eu não tinha muitas, mas as histórias que inventava com aquilo eram sempre diferentes! (eu acho que não tive este…)
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Eh pá! Tulicreme! E ainda antes de terem inventado o parvo do urso! O de cacau era maravilhoso, o de avelã bem podia ficar na prateleira do supermercado. (Tulicreme , Cola Cao, pacotes de Nesquik…)
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E estes? Lembram-se onde saíam? (tens para a troca???)
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Tive um macaco destes. Tinha um buraco na boca e supostamente chuchava no dedo. Claro que o meu era muito mais giro. E não tinha este pescoço de indio que mete argolas para o esticar. (O meu também chuchava no dedo, mas nunca se aguentava…)
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“Toma lá, e não gastes tudo em gomas!" - Ouvi muitas vezes também. (xiiii… isto era taaaanto dinheiro!)
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Atiravamos com isto para todo o lado. Até ficarem todos sujo, cheios de pêlos e cotões e pó e cabelos (sim, ficavam, não podem negar!). Mas era fantástico porque depois, só com um bocadinho de água e sabão, ficavam outra vez reluzentes e prontinhos para voltarmos a atirá-los aos móveis, ao tecto, ao chão, à cabeça dos nossos colegas... :P (nunca liguei muito… sei que saía nas batatas fritas, vero?)
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E as modas? Esta era mesma parva. E feia. Mas na mesma percorri kms para a encontrar e comprar. (esta não tive)
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Este gajo a mim irritava-me."O sabichão"... Com a mania que era esperto! Comigo não se safou, que eu virei-lhe a vareta de modo a dar as respostas todas erradas. TOMA! (isto estava mesmo escondidinho lá atrás! Quem é que se conseguiu lembrar deste jogo???)
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"Pró natal, o meu presente, eu quero que seja..." A minha agenda e o Natal. Isto só me faz lembrar do Natal dos Hospitais e de quanto eu queria pertencer ao Coro de Sto Amaro de Oeiras. (pedia sempre no Natal, claro!)
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Também tive uma destas. Saltei tanto com ela que de tanto roçar no chão, a bota ficou com uma boca... (Esta e o limão! E o hoola hoop!!!)
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Os estojos do poder. Com botões. Com compartimentos secretos para guardar as folhinhas e as borrachas de cheiro. Eram excelentes. Não faziam barulho como os estojos de lata, mas em comparação eram enormes.Eram mesmo bons para levar naquelas mochilas de 50 litros que nos fizeram escolioses. (todos artilhados… e as canetas com cheiro??? Ah! E eu fazia colecção de borrachas… eram telefones, marcos do correio, bonecos, animais, casas… tudo!)
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E no verão... o frigorífico cheio de fás, que nós chupávamos até o gelo ficar sem cor. (bom… confesso que nao comia Fás especificamente, mas comia destas coisas sim! Acho que na minha altura não tinham nome…)
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Bem, que viagem.”
(Sem dúvida… E agora uma coisa é certa: vou ter de continuar à procura dos Diamantes!)