* beauty at birth * cup cakes * dobrar o riso * “I want a bag!” * four non blondes * torn em modo karaoke * promessas de saídas à noite que não me incluíam * perches * moulin rouge * all stars * descobrir restaurantes * nicole kidman * canon * arctic monkeys * kino * canelones com espinafres * interail-que-devia-ter-feito-contigo * tim burton * muse * placards de madeira com pins * audrey hepburn * lomo * receitas a la M * notas musicais * helena bonham carter * passeios com o félix * roupa de primavera no inverno * florence em modo repeat * seriously? * LO…
nos últimos dias consegui dizer-te repetidamente o quanto te amava. que tinhas os olhos verdes mais bonitos do mundo. que admirava a tua força. que acreditava na tua vontade. que queria ser como tu quando crescesse. que podias partir. pedia-te para me sorrires mas só raramente o fazias quando me vias chegar. em troca, contava-te histórias num ritmo cadenciado que acompanhava a tua respiração. deitada ao teu lado, as costas das minhas mãos colavam-se ao rosto que já não era teu. dizia-te que podias partir, mas não te podia largar. por fim, os teus olhos verdes não seguiram o meu olhar contido. não vi a despedida. voltei a dizer que gostava muito de ti. gosto muito de ti. foste tanto. e agora fico assim. relutante em chorar a tua morte porque serás sempre a pessoa com mais vida que conheço.
Escolho os meus amigos não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila dos olhos. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espíritos, nem os maus de hábitos. Fico com os que fazem de mim louco e santo. Deles não quero respostas, quero o meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isto só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho os meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só ombros e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim metade bobeira metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, e lutem para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero os de metade infância e outra metade velhice! Crianças para que não esqueçam o valor do vento no nosso rosto; e velhos para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois, vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.