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12 de novembro de 2013

The look of love
The rush of blood
The "she's with me"
The Gallic shrug
The shutterbugs
The camera plus
The black and white 
and the colour dodge

| No1 Party Anthem, Arctic Monkeys |

28 de outubro de 2013


(…) Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.


Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.


| João Cabral de Melo Neto - A Carlos Drummond de Andrade |

23 de outubro de 2013

don't say hi if you don't have time for a nice goodbye

it's when you walk in, it's when you beat my ghosts that something surprises and you're feeling down. And it's when you talk with, with a friend so sad that seven eighty nine fears going down. When you're walking down the road with saddest signs, there're no green lights and only stars and no one to drive me home, alone I can't say goodbye.  I was feeling doubts and so who am I, wake up and no supplies and there's something inside my head alone I can't say goodbye.

2 de outubro de 2013


love and barbed wire (lovers in the jardin des tuileries during the occupation), paris 1er, 1944

© robert doisneau, from doisneau [the war 1939-1944]

23 de setembro de 2013

a festa do silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio. 
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se. 
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas. 
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas. 
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia, 
o ar prolonga. A brancura é o caminho. 
Surpresa e não surpresa: a simples respiração. 
Relações, variações, nada mais. Nada se cria. 
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça. 

Nada é inacessível no silêncio ou no poema. 
É aqui a abóbada transparente, o vento principia. 
No centro do dia há uma fonte de água clara. 
Se digo árvore a árvore em mim respira. 
Vivo na delícia nua da inocência aberta. 

| António Ramos Rosa, in "Volante Verde" |

8 de setembro de 2013