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11 de setembro de 2011

- "Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar?". O guarda da porta, apercebendo-se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte: -"Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta."

| Franz Kafka, Diante da Lei |

9 de setembro de 2011

Hold Heart


Hold heart
Don't beat so loud
For me keep your calm
As he walks out on you

No tears
Don't you come out
If you blind me now
I am defeated

No lips
Don't make a sound
Don't let him hear
The break in your voice

Hand let go of this
With ease n' grace
Don't let him bleed under your nails

Oh Lord
Take off thy crown
You're my king no more
With start merciless heart

Hold heart
Don't beat so loud
For me keep your calm
As he walks out on you

No tears
Don't you come out
If you blind me now
I am defeated

8 de setembro de 2011

transparência

Momentos há em que a toda a nossa volta os objectos se tornam insuportáveis como se nos roubassem o ar, como se neles houvesse uma respiração onde o ar e a luz interviessem simultaneamente. Entre os sabores que tocam no meu espírito procuro então o que de melhor me possa devolver à transparência, não a dos espelhos ou dos vidros, que a literalidade impregna, mas a abrupta transparência dos sentidos.

| Luís Miguel Nava |

5 de setembro de 2011

extraordinary histories, ordinary histories

The Winner Is


Dwayne: I wish I could just sleep until I was eighteen and skip all this crap-high school and everything-just skip it.
Frank: Do you know who Marcel Proust is?
Dwayne: He's the guy you teach.
Frank: Yeah. French writer. Total loser. Never had a real job. Unrequited love affairs. Gay. Spent 20 years writing a book almost no one reads. But he's also probably the greatest writer since Shakespeare. Anyway, he uh... he gets down to the end of his life, and he looks back and decides that all those years he suffered, Those were the best years of his life, 'cause they made him who he was. All those years he was happy? You know, total waste. Didn't learn a thing. So, if you sleep until you're 18... Ah, think of the suffering you're gonna miss. I mean high school? High school-those are your prime suffering years. You don't get better suffering than that.

| Little Miss Sunshine |





26 de agosto de 2011

moras nas minhas pálpebras e eu não sei o que te vestir. o teu corpo tem formas diferentes: regressaste ao que eras para mim. a pele esticada, os olhos cintilantes, o andar decidido que se reflecte nos gestos e que segreda a ânsia da vida. sorris para os que passam e esqueces-te de ti. chamo o teu nome mas continuas o teu caminho, como se não o conhecesses ou como se procurasses um destino melhor. desapareces de tempos a tempos, mas sei que te encontro sempre nas minhas pálpebras.

24 de agosto de 2011


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

| David Mourão-Ferreira |

19 de agosto de 2011

«(...) It seems I am trying to tell you a dream--making a vain attempt, because no relation of a dream can convey the dream-sensation, that commingling of absurdity, surprise, and bewilderment in a tremor of struggling revolt, that notion of being captured by the incredible which is the very essence of dreams...no, it is impossible; it is impossible to convey the life-sensation of any given epoch of one's existence--that which makes its truth, its meaning--its subtle and penetrating essence. It is impossible. We live, as we dream--alone...»

| Joseph Conrad, Heart of Darkness |

18 de agosto de 2011

... das luzes, dos acordes e das harmonias? É tudo encantamento e a realidade foge para um recanto desarrumado do cérebro.  Passas a viver do ar, daquilo que sonhas, do que queres desesperadamente ser. E esqueces uma parte do mundo à tua volta. Num ápice, fechas os olhos às coisas que importam e que pulsam. Consegues apagá-las, mesmo depois de terem habitado o teu centro? Redefiniste prioridades. Mas está tudo bem. Agora sim, és feliz.

17 de agosto de 2011

Uma pequenina luz



Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha

| Jorge de Sena |